Quinta-feira,
30 novembro
de 2006
Estado de
São Paulo
Gonzaguinha
e Gonzagão,
juntos
Reencontro
de pai e
filho é
narrado pela
jornalista
Regina
Echeverria,
que conta em
livro a vida
e a obra dos
dois
artistas
Adriana Del
Ré
Por anos, os
herdeiros
dos Gonzaga
guardaram
consigo um
material
inédito - e
precioso.
Eram
gravações
feitas por
Gonzaguinha
na turnê
Vida de
Viajante,
que ele e o
pai, Luiz
Gonzaga,
fizeram
juntos pelo
Brasil em
início da
década de
80. Aquele
simbolizou
um período
de
reencontro,
de redenção
entre os
dois, que
durante anos
mantiveram
um
relacionamento
difícil e
distante.
Gonzaga
filho
registrou
conversas
com Gonzagão,
com a
madrasta
Helena (que
o rejeitou),
entre outros
depoimentos
em torno do
universo de
seu pai.
Tinha planos
de escrever
um livro
sobre ele.
Autora de
biografias
como de Elis
e Cazuza, a
jornalista
Regina
Echeverria
foi
procurada
por uma
advogada,
representante
do clã
Gonzaga,
para lhe
oferecer
aquelas
gravações e
a tarefa de
finalizar o
trabalho
inacabado de
Gonzaguinha,
morto num
acidente de
carro, em
1991. Regina
viu-se com
um tesouro
nas mãos,
porque, ali,
naqueles
registros
sonoros, pai
e filho
tratavam de
assuntos que
sempre lhes
foram muito
dolorosos,
como a
eterna
dúvida
envolvendo a
paternidade
de Luiz
Gonzaga. 'Eu
não tenho o
menor temor
de ser ou
não ser
filho de
Luiz
Gonzaga. Eu
não tenho o
menor temor
de ser filho
de fulano ou
sicrano. É
preciso que
fique claro
que meu pai,
como está
escrito no
cartório, é
você, e
minha mãe
Odaléia
Guedes dos
Santos, como
está na
minha
carteira de
identidade',
disse
Gonzaguinha.
'E eu também
não posso
enfeitar
muito isso
porque
estaria
enganando a
você e a mim
mesmo. Não
há razão
nenhuma para
mentira. A
verdade é
que você é
Luiz Gonzaga
do
Nascimento
Jr. Eu fui
ao cartório
e
registrei',
reforçou
Gonzagão.
Regina não
viu outra
saída senão
encarar o
desafio de
escrever
duas
biografias
numa mesma
obra,
fazendo com
que a
história de
um se
entrelaçasse
com a do
outro. Era
inevitável,
pois as duas
vidas se
misturavam e
se mostravam
indissolúveis
naquelas
gravações:
foram
predestinadas
a coexistir,
com todos os
fardos e
alegrias, e
a se findar
em curto
espaço de
tempo.
Durante dois
anos, a
jornalista
se dedicou
ao projeto,
praticamente
sozinha.
Realizou o
trabalho de
pesquisa e
de
transcrição
de 20 horas
de
entrevistas.
Escreveu o
livro
Gonzaguinha
e Gonzagão -
Uma História
Brasileira
(que será
lançado hoje
na Livraria
Cultura, em
São Paulo)
em sua casa
de São
Vicente,
litoral
paulista. Da
janela,
tinha a
visão da
praia do
Gonzaga. Um
desses
gracejos do
destino.
Voltando à
questão da
paternidade,
ela tinha
consciência
de que este
seria um dos
impasses em
suas
pesquisas.
'Sofri ao
decidir como
me
posicionar.
Como
jornalista,
eu queria
dizer se ele
era filho ou
não, mas não
tinha como.
Eu tive de
encontrar
maneiras de
abordar o
assunto e
fazer o
leitor tirar
as próprias
conclusões.'
Em vida, nem
Gonzaguinha
nem Gonzagão
cogitaram
fazer testes
para provar
o vínculo
sanguíneo. É
bem verdade
que Luizinho
- como o Rei
do Baião o
chamava -
cresceu num
morro do
Rio, criado
pelos
padrinhos e
longe do
pai. Mas
Gonzagão
nunca negou
ser ele seu
filho
legítimo. Um
exame de DNA
nos restos
mortais
poderia
esclarecer o
caso, mas
está fora de
questão para
os
herdeiros.
Este não é o
norte
principal do
livro. Como
jornalista,
Regina teve
preocupação
de relatar
duas
histórias,
com fluência
na escrita e
histórias
interessantes,
como requer
uma
reportagem.
Tendo como
ponto de
partida o
nascimento
de Luiz
Gonzaga, na
cidade
pernambucana
de Exu, em
1912, e como
desfecho
final a
morte de
Gonzaguinha,
79 anos
depois.
Nesse
espaço,
narra como
Gonzagão foi
influenciado
na música
pelo pai
Januário; a
entrada para
o exército;
a ascensão
da carreira
no Rio; os
parceiros; a
'invenção'
do baião; a
paixão pela
cantora
Odaléia; os
altos e
baixos na
carreira; o
nascimento
de Luiz
Gonzaga do
Nascimento
Jr., que
cresceu
moleque no
morro de São
Carlos e
virou adulto
triste e
amargo.
Enquanto
Gonzaguinha
trilhava
caminho
próprio na
música,
vivia às
turras com o
pai e com o
mundo.
Divergia com
Gonzagão,
mas nunca se
queixava da
vida, nem de
ninguém. E
quando
finalmente o
sucesso
veio, provou
ao pai que
não tinha
virado
marginal e
era chegada
a hora da
reaproximação.
Para Regina,
esta é uma
história de
amor entre
dois homens,
mas que
tiveram
pouco tempo
para esse
resgate. Em
2 de agosto
de 1989, o
coração de
Luiz Gonzaga
parou de
bater.
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